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22 Janeiro 2018 2:51 pm

Situação de emergência

Situação de emergência

Os impactos dos desastres naturais podem ser amplificados pela atuação do homem

 

No último mês no Estado de Mato Grosso, ao menos 14 Municípios decretaram situação de emergência, sendo eles: Rio Branco, Vale de São Domingos, Chapada dos Guimarães, Confresa, Vila Rica, Santa Terezinha, Cláudia, Água Boa, Pontes e Lacerda, Porto Esperidião, Barra do Bugres, São José do Xingu, Jauru e Campo Novo do Parecis.

 

A declaração de situação de emergência está relacionada à ocorrência de desastres. Segundo o Glossário da Defesa Civil Nacional, desastre é o “resultado de eventos adversos, naturais ou provocados pelo homem, sobre um ecossistema (vulnerável), causando danos humanos, materiais e/ou ambientais e consequentes prejuízos econômicos e sociais. A intensidade de um desastre depende da interação entre a magnitude do evento adverso e o grau de vulnerabilidade do sistema receptor Afetado”. Os desastres podem ser classificados como desastres naturais ou humanos.

 

O Brasil é um dos países no mundo mais afetados por desastres naturais relacionados à dinâmica externa do nosso planeta tais como inundações, escorregamentos, vendavais, chuvas intensas entre outros. No caso de Mato Grosso, além dos eventos da dinâmica externa, aqui na terra de Rondon ocorreu em 1955 o maior terremoto registrado no Brasil, de 6,6 graus na escala Richter.

 

Os desastres naturais estão ligados aos processos e ciclos que envolvem nosso planeta. É fácil para qualquer pessoa compreender ciclos como os dias e as estações do ano. Todavia, a forma como se dará cada uma das estações está relacionada a outros fenômenos maiores, como variações das correntes marinhas (Ex. El Niño e La Nina), ciclos solares entre muitos outros. Estes ciclos influenciam no nosso planeta através das décadas ou séculos, e algumas destas variações são mais complicadas para serem observadas, pois são geracionais, ou seja, você ira presenciar um fenômeno que só ocorrerá novamente quando seu bisneto ou tataraneto tiver a sua idade.

 

Os impactos dos desastres naturais podem ser amplificados pela atuação do homem, por exemplo, a impermeabilização de terrenos facilita alagamentos. Outras medidas como a ocupação de áreas inapropriadas, podem resultar em grandes perdas materiais e humanas. Por isso é necessários sempre uma política de uso e ocupação do solo que seja construída com base em estudos técnicos adequados.

 

Os desastres naturais ocorrem e continuarão a ocorrer no nosso planeta, contudo através de medidas adequadas é possível minimizar os danos causados por esses eventos. Toda via, negligenciar a existência dos fenômenos e dos ciclos da natureza pode ampliar o número de vítimas e o impacto dos desastres. Em países como Japão, os governos e a população aprenderam a lidar com as adversidades da natureza tais como terremotos, vulcões e tsunamis.

 

No nosso Estado, ano após ano, vemos diversos municípios decretarem situação de emergência. A pergunta que cabe ser feita é: Quais a medidas preventivas estão sendo desenvolvidas pelo estado de Mato Grosso para assegurar que o uso e ocupação do solo estão sendo realizado de forma adequada? Será que de fato os governos tem se preocupado em tomar medidas responsáveis relativas a esta temática? Ou será que estão apenas de dedos cruzados esperando com que a natureza se comporte, no ano seguinte, da mesma forma que se comportou no ano anterior?

 

Para concluir, digo que o estado de Mato Grosso deve tomar algumas medidas importantes. Como o desenvolvimento de uma política correta de uso e ocupação do solo, desenvolver uma orientação adequada para a população em áreas de risco e equipar a defesa civil. Dentro desta última, desenvolver um corpo técnico aos moldes de outros estados, como Rio de Janeiro e São Paulo, pois possuem uma equipe técnica especializada em estudos e medidas preventivas.

 

CAIUBI KUHN é Geólogo e Mestre em Geociências; Docente do Instituto de Engenharia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT); Conselheiro-Titular do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-MT); Diretor de Benefícios e Relações Sindicais do Sindicato dos Geólogos do Estado de Mato Grosso (SINGEMAT); Presidente da Associação de Geólogos de Cuiabá (GEOCLUBE);

 

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