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20 Janeiro 2018 2:01 pm

A arte de julgar

A arte de julgar

Todo julgamento a priori é inútil, vago, fraco, frágil e irresponsável. Tem como base apenas a dedução, o uso do pensamento imediato sobre um ato ou fato que se tem a respeito de algo ou alguém, tem, sobretudo, em sua construção, a pouca elaboração, o impulso e comoção.

 

Como premissa para uma possível verdade, o julgamento a priori, é como um dado na mão, ou seja, absolutamente nada.

 

É preciso que os dados sejam jogados, que as provas da experiência sejam sentidas para que a verdade apareça como um acordo de opiniões.

 

Não são poucas as acusações que atingem diretamente a integridade do governador Pedro Taques. Todas absolutamente sem nenhuma prova cabal de culpa.

 

Quando acusações possuem em sua gênese deduções e estas se misturam a ilações, inicia-se uma esquizofrenia desmedida com efeito dominó capaz de construir um castelo de mentiras fruto de estados mentais com grave desorganização e perda do juízo, causando efeitos irreparáveis, capazes de destruir todo um processo moral de conduta.

 

Um homem acuado é capaz de tudo, inclusive, mentir em uma delação premiada. Sem dúvida, um ato suicida, não obstante, cabe a pergunta: o que mais tem a perder alguém que já está condenado?

 

A melhor resposta, seria sem dúvida, fazer de tudo para diminui a sua pena e porque não conseguir a liberdade.

 

Um homem acuado e com medo pode apontar sem pensar e ainda ampliar a sua vingança como arma desmedida de defesa e isso não o impede de colocar no mesmo saco, o joio e o trigo e ainda acreditar que este é o melhor, e mais curto caminho para a sua liberdade.

 

Sejamos sensatos e prudentes ao ponto de praticarmos a retidão frente a tudo que de imediato nos aparece como fato e notícia.

 

É preciso atentar para as mediações e interesses escusos que não contribuem com a verdade.

 

É com provas que se faz justiça. A presunção da inocência deve ser uma premissa basilar para qualquer tipo de julgamento.

 

Por mais especialista que você seja, não aponte o dedo sem que a prova esteja definida. O bom julgamento vem da experiência e é com ela que a justiça precisa ser feita. E cabe a justiça fazer justiça.

 

Portanto, parece-nos lícito afirmar que para julgar é preciso cortar em partes e realmente analisar os fatos.

 

Para conhecer efetivamente os fatos, é necessária a presença de prova, pois sem prova não se conhece os fatos e, sem o conhecimento destes, não se pode definir ou julgar situações.

 

Não havendo prova a ser analisada, não se pode conhecer os fatos e sem o conhecimento destes não se pode julgar, pois não se saberá se a parte merece ou não merece o que se pede.

 

Julgar sem conhecer os fatos é o mesmo que presumir e, presumir mal, pois, até para se presumir, é necessário um início de prova.

 

É muito importante que a verdade dos fatos apareça e sobreponha a ansiedade e a vontade insana de homens que sentem prazer na punição alheia sem fatos e provas e vida longa aos homens que, pelo certo e pelo bem, julgam e dormem, com a cabeça tranquila em seu leito, pois é de consciência tranquila que se constrói uma sociedade mais justa.

 

HAROLDO DE ARRUDA JÚNIOR é professor universitário em Cuiabá.

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