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18 Fevereiro 2018 3:46 pm

Pesquisa apresenta resultados de estudos em reservas indígenas de etnia Paresi na região do Chapadão do Parecis

Pesquisa apresenta resultados de estudos em reservas indígenas de etnia Paresi na região do Chapadão do Parecis

Na última semana o Instituto Federal de Mato Grosso – IFMT campus Campo Novo do Parecis, por meio da professora Dra. Andréia Iocca e parceiros, com a colaboração da Universidade do Estado de Mato Grosso – Unemat e a Fundação Nacional do Índio – Funai, realizou uma reunião para apresentar os resultados da Pesquisa “Qualidade ambiental e microbiológica dos cursos d’água em reservas indígenas de etnia Paresi na região do Chapadão do Parecis – MT”.

O objetivo da pesquisa foi analisar a qualidade limnológica e microbiológica das águas utilizadas para consumo humano por quatro comunidades indígenas de etnia Paresi. Para isso foram identificados e mapeados os pontos de abastecimento de água dos moradores de quatro aldeias, para que fossem realizadas análises microbiológicas e limnológicas bimestralmente, a fim de confrontar os dados de qualidade, bem como o grau de contaminação dos pontos de coleta e correlacionar os impactos ambientais existentes na região de estudo com os padrões de qualidade e segurança recomendados pelos órgãos competentes.

Além disso, o projeto buscou informar a comunidade indígena sobre os riscos do consumo de água contaminada, orientado sobre as formas de contaminação e tratamento das águas.

Os trabalhos tiveram início em 2016 e de estenderão até setembro de 2017, com duração aproximada de 12 meses. Segundo a professora Andréia Iocca, foi utilizado como base metodológica a determinação da Resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA n° 357/2005, do Ministério do Meio Ambiente – MMA, que dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências.

A professora explica que, com a finalidade de garantir a real situação dos corpos d’água analisados, foi preciso dispor as coletas entre os períodos de seca e chuva. “A ecologia microbiana e as características limnológicas são diretamente afetadas pelo clima, em especial nas oscilações de temperatura da água, pH, oxigênio dissolvido, vazão, turbidez, dentre outros parâmetros avaliados”, complementou.

Devido alterações no regime de chuvas em 2016/2017 ainda será realizada mais uma coleta em período de seca para que o projeto seja finalizado. Contudo, os resultados já podem ser verificados. “Já conseguimos identificar 2 pontos, em diferentes comunidades indígenas, com altos índices de coliformes termotolerantes (microrganismos encontrados nas fezes de seres humanos e animais de sangue quente, utilizados como indicadores de contaminação por patógenos), nas águas dos rios avaliados”, avaliou Iocca.

Os resultados foram apresentados para as comunidades indígenas envolvidas, representantes dos Governos Municipais de Sapezal e Campo Novo do Parecis e à Secretaria de Saúde Indígena – Sesai. “A Associação indígena tem interesse na continuidade das análises, para isto, está sendo analisado a possibilidade de parceria entre IFMT, associação, governos municipais e fundos de apoio. Mas ainda estamos em conversas preliminares”, pontuou a pesquisadora.

O desenvolvimento da pesquisa contou com a colaboração do primeiro discente indígena do IFMT campus Campo Novo do Parecis, Jhonatan Iranche Soares, que utilizará dados da pesquisa em seu Trabalho de Conclusão de Curso – TCC. Para ele o projeto superou todas as expectativas. “Conseguimos atingir essas comunidades, trocar conhecimentos e levantar questões que futuramente poderão ser atendidas com base nos resultados. Ainda tem muito a ser trabalhado nessas comunidades, pois existe uma grande necessidade de todos para que sejam valorizados e tratados por igual, trazendo saneamento adequado e soluções viáveis aos problemas comuns da sociedade presente nas aldeias”, salientou.

Para Andréia, o projeto é necessário para a contribuição na formação de recursos humanos na área de Segurança Alimentar e para a consolidação do curso de Tecnologia em Agroindústria no cenário regional. “Sem contar que irá efetivamente contribuir para políticas públicas nas comunidades indígenas, no sentido de embasar os pedidos desta comunidade para implementação e implantação de poços da FUNASA nas aldeias que utilizam a água dos rios diretamente”, findou.

 

Gazeta MT/Carla Londero

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