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25 novembro 2017 6:17 am

Funcionária chamada de ‘virgem de prostíbulo’ por supervisor de banco deve receber indenização em MT

Funcionária chamada de ‘virgem de prostíbulo’ por supervisor de banco deve receber indenização em MT

Imagem Ilustrativa

Ela disse que ele a obrigava a fazer vendas casadas e quando reclamava ele a ofendia com expressões machistas. Funcionária disse que era comum ele gritar e colegas chorarem no banheiro.

ma funcionária que trabalhou no banco Itaú, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, deve ser indenizada por assédio moral após sofrer diversas ofensas de um supervisor da instituição. A 2ª Vara do Trabalho de Várzea Grande condenou o banco a pagar de indenização por dano moral no valor de R$ 20 mil. A decisão, que cabe recurso, é da juíza Leda Borges de Lima e foi divulgada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) nessa quinta-feira (19).

O G1 tentou e não conseguiu posicionamento do banco a respeito da condenação. A situação ocorreu no ano de 2012. Consta nos autos que a empregada sofria constante assédio moral. O supervisor da instituição foi acusado de uma série de condutas como descriminação às mulheres da empresa, maus tratos verbais e pedidos de condutas ilegais.

Ao se defender do processo, ele negou todos os fatos alegando que a trabalhadora jamais fora humilhada ou assediada moral ou sexualmente no ambiente de trabalho.

Segundo a trabalhadora, o assediador usava sempre um tom de voz agressivo, termos chulos e constantes ameaças durante as reuniões para a utilização de práticas ilícitas, como a venda casada de produtos.

Quando ela apontou que a prática é expressamente vedada pela legislação do consumidor o assediador disse na frente de todos os colegas de trabalho que a autora e as outras colegas (todas mulheres) do mesmo setor pareciam as ‘virgens de prostíbulo’.

Com condutas sempre machistas, ele dizia nas reuniões que preferia trabalhar com homens, já que mulheres choravam por qualquer coisa, pois era comum alguma trabalhadora sair chorando de suas reuniões após ouvir os gritos do supervisor.

“O assediador era machista e dizia nas reuniões que preferia trabalhar com homens, pois mulheres choram por qualquer coisa (vez que quando gritava, uma ou outra ia para o banheiro chorar) e que as mulheres têm muita TPM – Tensão Pré-Menstrual”, consta no processo.

As trabalhadoras da empresa fizeram uma denúncia no sindicato que decidiu organizar uma reunião na agência para explicar as causas e os efeitos do assédio moral. A tentativa de desestimular o assediador, no entanto, foi fracassada, já que ele saiu da sala para não ouvir as palestras.

A história contada pela trabalhadora foi confirmada pela testemunha no processo, que também sofreu com os assédios enquanto trabalhava na agência. Durante seu depoimento, a testemunha acrescentou que as reuniões presididas por ele eram sempre exaltadas, dizia, por exemplo, frases como ‘hoje vamos fazer seguro’ e mandava todos os funcionários repetirem como se fossem crianças.

“Não há como cogitar que o empregado, nessa situação, não se sinta constrangido ou até exposto ao ridículo. Por tais motivos, tenho por configurada a conduta ilícita da ré perpetrada pela conduta do supervisor da autora, bem como o dano moral daí advindo que decorre da própria ofensa e que ainda ficou clarividente ante o depoimento da testemunha”, concluiu a juíza.

Gazeta MT/G1MT

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