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21 Fevereiro 2018 6:59 am

Mudança no clima causa atraso na colheita da soja em Mato Grosso

Mudança no clima causa atraso na colheita da soja em Mato Grosso

Ilustração

A colheita de soja da safra 2017/2018 está atrasada. O motivo seria o decorrente atraso nas chuvas registrados em algumas regiões de Mato Grosso. A previsão era de que a partir do dia 15 de setembro de 2017, quando terminou o vazio sanitário, o período de chuvas começasse a ser registrado, porém só começou a chover mesmo em novembro.

Em conversa com coordenador da Comissão de Defesa Agrícola da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, o pessoal estava pronto para plantar, mas como não vieram as chuvas, ocorreu um atraso no cronograma das lavouras.

“Pontualmente algumas propriedades dentro do Estado começaram colher antes, onde a chuva foi mais localizada e o pessoal conseguiu plantar cedo e começar a colher. Mas em média, houve um estimo de atraso de 20 dias de atraso na colheita”, contou.

Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), 1,29% da área estimada em Mato Grosso foi colhida na última semana. No comparativo com a mesma semana do ano passado, aproximadamente 5,33% da área já estava fora do campo.

A região mais avançada é a Oeste, com 3,02% da área total colhida. As regiões com menor avanço são Noroeste 0,24% (Colniza, Aripuanã, Juína) e Norte 0,69% (Alta Floresta, Juruena, Apiacás). As previsões climáticas apontam significativos volumes de chuvas neste período, podendo refletir ainda mais nos trabalhos de campo.

Lucas explicou que normalmente no Estado, um a cada cinco anos, acontece de chover em setembro, para o pessoal plantar no tempo “certo”. Mas o plantio, em Mato Grosso, ganha força mesmo no inicio de outubro, porém esse ano começou em novembro.

“As chuvas de setembro foram registradas em alguns locais, em outros o plantio começou dia 02 de novembro, quando começou a chover. Às vezes isso dentro de um município, como em Nova Mutum, aconteceu que produtor que conseguiu plantar em setembro, e outros no inicio de novembro”.

O coordenador informou que tem conversado com os produtores, e que essa semana falou com alguns da região Oeste e Norte que foram as que começaram a plantar em setembro. “O pessoal tem notado um decréscimo em relação ao ano passado de 5 a 8% de produção. Ainda estão boas as produções, porém o ano passado foi uma produção excelente. Então a gente não vai conseguir as médias do ano passado, mas prevê uma boa colheita”.

Sobre o impacto desses atrasos, Lucas disse que ainda é cedo para prever o impacto econômico que essa colheita atrasada irá representar, porém é provável que a incidência de ferrugem nessas áreas fique difícil de controlar. “Essas áreas irão sofrer alta pressão da ferrugem e hoje os princípios ativos que tem no mercado para controlar, nenhum tem 100% de eficiência, então um dos impactos é esse”.

Outro impacto, seria o da mosca branca. “A gente tem percebido que tem aumentado bastante à população e que essas últimas áreas (30% a 40%), pode sofrer por conta da mosca branca e ferrugem”, salientou.

Vendas da oleaginosa

Segundo Lucas Costa, as informações é que nos primeiros 10 dias de janeiro de 2018, o Estado já tinha exportado mais soja do que no mesmo período do ano passado, porém o produtor está lidando com um problema: os estoques mundiais estão autos.

“Os estoques este ano estão historicamente altos”. Apesar disso, não há notícias de produtores que estão perdendo grãos neste inicio de ano.

Milho Safrinha

Após a colheita da soja, os produtores irão se preparar para o plantio do Milho Safrinha, que será afetado também. ““Com esse atraso no plantio da soja tudo atrasa. Eu mesmo como produtor, 30 a 40% da minha área eu vou plantar fora da janela que seria do plantio, então com certeza o produtor corre o risco de faltar chuva lá na frente e podemos dizer que esse ano a safra de milho vai ser uma das mais difíceis de prever devido aos atrasados. Somente se chover muito bem é que vai dar para fazer previsões. Ainda está muito impreciso o tempo”.

Gazeta MT/CATIA ALVES

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